segunda-feira, 30 de abril de 2012

Deus não precisa de estrelas para executar a sua obra


“Não basta ter luz na mente, é preciso ter fogo no coração”. Com esta ideia o Pr. Hernandes Dias Lopes – teólogo, escritor, conferencista e atualmente diretor executivo da editora Luz para o Caminho – alertou para a importância de manter a humildade no ministério e ter sempre em mente que Deus é o único merecedor de toda a glória e honra.
Em entrevista exclusiva ao Guiame, Hernandes falou sobre a simplicidade do personagem bíblico Elias, a atual banalização do evangelho que a Igreja vive de modo geral e o perigo do ativismo religioso para qualquer líder cristão. Confira na íntegra.
Guiame: Elias é exemplo, também por sua humildade. O que leva líderes a se exaltarem ao nível que estão hoje? Ignorância das ovelhas ou dos próprios ministros? Hernandes Dias Lopes:  A auto-exaltação de alguns líderes evangélicos é uma atitude insensata, pois no Reino de Deus maior é o que serve e aquele que se humilha é que será exaltado. Deus abomina a soberba e não tolera o culto à personalidade. Essa tendência vergonhosa é resultado da soberba dos líderes e da ignorância do povo. Colocar um líder no pedestal é uma atitude indigna, pois todo líder tem os pés de barro. O único nome que deve ser exaltado na igreja de Deus é o nome de Cristo.
Guiame: Muitos pastores estão “matando” suas igrejas com tanta cultura e tão pouca espiritualidade. Como encontrar um equilíbrio entre o conhecimento acadêmico e a vida espiritual? Hernandes Dias Lopes: O divórcio entre academia e piedade, ortodoxia e ortopraxia, pregação e oração é um dos mais graves problemas da igreja contemporânea. Temos investido muito na cultura da cabeça e muito pouco na cultura do coração. Damos muita ênfase ao conhecimento e quase nenhuma à piedade. Não que estejamos estudando muito ou pelo menos o suficiente para sermos obreiros aprovados, mas conhecimento sem vida não produz resultados que glorificam a Deus. Não basta ser uma igreja sólida na doutrina se aplicamos essa doutrina na vida. Não basta ter luz na mente, é preciso ter fogo no coração.
Guiame: Achamos que a obra do Senhor é nossa prioridade, enquanto precisamos conhecer a Deus acima de tudo. Como podemos evitar de sermos “engolidos” pelo “ativismo religioso”? Hernandes Dias Lopes: O Deus da obra é mais importante do que a obra de Deus. Nossa maior prioridade não é fazer a obra de Deus, mas conhecer o Deus da obra. Vida com Deus precede trabalho para Deus. O Senhor está mais interessado em quem nós somos do que no que nós fazemos. O ativismo pode ser uma armadilha para nos manter ocupados demais, descentralizados demais e inócuos demais. Precisamos entender que a obra de Deus deve ser feita com os recursos de Deus e para a glória de Deus e não com os nossos próprios recursos para nossa própria exaltação.
Guiame: A humanidade tem se esquecido de estar na dependência do provedor e tem acreditado  em sua própria provisão.
Precisamos vizualisar dificuldades para conhecer de perto o Deus da provisão? Hernandes Dias Lopes: Há um enorme perigo de substituirmos o Deus das bênçãos pelas bênçãos de Deus e o provedor pela provisão. É fácil depender da provisão quando nós a temos e a administramos. Precisamos saber que a fonte do nosso sustento vem de Deus, pois mesmo que os nossos celeiros estejam vazios, os de Deus estão abarrotados. Precisamos confiar que quando nossa fonte seca, os mananciais de Deus continuam jorrando. Desta forma, quando Deus nos matricula na escola do deserto e sentimos a falta da provisão, podemos saber que ele onde estamos, como estamos, o que devemos fazer e para onde devemos ir. Nesse momento, mais do que nunca, precisamos depender mais do provedor do que da provisão. Obviamente não é necessário passar por uma crise para sabermos disso, podemos mesmo na fartura saber que tudo que somos e temos veio de Deus, é de Deus e deve ser consagrado de volta para Deus.
Guiame: Encontra-se atualmente pregações sem efeito. O fato de não se viver o que se prega pode explicar tal “fenômeno”? Hernandes Dias Lopes: Nem todos os que proferem a Palavra de Deus são boca de Deus. A Palavra de Deus era verdade na boca de Elias. O bastão profético tinha virtude nas mãos de Eliseu, mas não nas mãos de Geazi. A vida do pregador é sua própria ferramenta. Essa ferramenta precisa estar afiada. O pregador é um vaso e esse vaso precisa estar limpo para ser um vaso de honra. Uma vida imiscuída com o pecado não pode alcançar êxito na pregação. Sem santidade não há vitória na pregação. Precisamos pregar com fidelidade, com piedade, com lágrimas e na virtude do Espírito Santo.